Hoje eu desejo fazer memória no coração de todas as vítimas do Holocausto. Seu sofrimento, suas lágrimas, nunca sejam esquecidosComeço a resenha de um dos meus livros favoritos da vida, com essa citação do Papa Francisco sobre o Holocausto, porque hoje , 27 de janeiro, é declarado o Dia Internacional de Comemoração em Memória das Vítimas do Holocausto.
Há 72 anos atrás, no dia 27 de janeiro de 1945, as tropas do Exército soviético colocaram um fim no campo de concentração de Auschwitz, na atual Polônia, e, desde então, a Europa sempre faz questão de relembrar a data.
Comecei a me interessar pela história da Segunda Guerra Mundial por causa deste livro.
Quando estava na quinta série , com 11 anos, e peguei este livro para ler ma biblioteca, mal sabia eu que estava lendo um dos livros que marcariam a minha vida profundamente. Na época, achei que seria mais um livro sobre a vida de uma garota, afinal o nome do livro era "Diário de Anne Frank", que mal poderia haver em um livro desse? Afinal era um diário.
O melhor de tudo é o que penso e sinto, pelo menos posso escrever; senão, me asfixiaria completamente.
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| A edição de luxo, imitando a capa orginal do diário e a versão que eu li, ambos lançados pela Editora Record. |
Após o nazismo chegar ao poder na Alemanha, ela, sua família e uma familia amiga, os Van Daan, conseguem se esconder em um anexo secreto em um galpão de uma empresa, o que na verdade foi feito as pressas pois Margot, irmã de Anne três anos mais velha, havia recebido uma convocação para se apresentar nos campos de trabalho.
O diário mostra a relação afetuosa que ela tinha com o pai, os conflitos com a irmã e os atritos com a mãe, mas quando ela vai relendo o seu diário, tempos depois, porque ouve no rádio que um ministro que está em exílio irá juntar documentos e relatos, para que depois que a guerra acabar, ele publique e mostre a todos o que o povo passou.
Quando escrevo, sinto um alívio, a minha dor desaparece, a coragem volta. Mas pergunto-me: escreverei alguma vez alguma coisa de importância? Virei a ser jornalista ou escritora? Espero que sim, espero-o de todo o meu coração! Ao escrever sei esclarecer tudo, os meus pensamentos, os meus ideais, as minhas fantasias.
Sua escrita mostra como ela teve que ficar madura muito rápido, os altos e baixos que temos na adolescência, para ela foi muito pior pois ficar 24 horas presa em um local no qual não viam ninguém, não falavam com ninguém de fora e que ao menor sinal de perigo tinham que ficar absurdamente quietos. Um passo em falso e poderiam ser presos.
As pessoas com mais idade já têm opiniões formadas sobre todas as coisas e já não vacilam, não hesitam perante as dificuldades da sua vida. A nós, os jovens, custa-nos manter-nos firmes nos nossos pareceres por vivermos numa época em que mostra pelo seu lado mais horroroso, em que se duvida da verdade, do direito, de Deus.Claro que o livro tem suas partes mimimi - afinal a menina tem 14 / 15 anos- , tem coisas engraçadas e principalmente mostra a resistência e garra que os judeus tiveram nessa guerra - e em muitas outras - , e que independente de onde se estiver, jovens continuam sendo jovens, se apaixonando, tendo algumas experiências, formando sua personalidade e o que quer ser.
Mas o que mais machuca são os sonhos. Quantos sonhos não foram interrompidos, quantas vidas não foram ceifadas pela guerra, pelos campos de concentração, pelos trabalhos forçados, pela condição inumana a que sujeitaram esse povo? Ver Anne rever seu diário para que, quando a guerra acabar, ela pudesse publicá-lo, se tornando uma jornalista, sabendo que a vida dela seria interrompida de forma tão horrível, saber que ela e Margot morreriam de tifo, depois da sarna e dos trabalhos forçados, e sua mãe de fome. Gente, é tão triste.
Quando eu escrevo, eu posso me livrar de todos os meus cuidados, minha tristeza desaparece, meus espíritos são revividos! Mas, e isso é uma grande questão, eu nunca vou ser capaz de escrever algo grande, eu nunca vou me tornar uma jornalista ou escritora?Poder.Ganância.Credos.Estupidez. Ignorância.Traição.Quantas pessoas que poderiam mudar o mundo para melhor, vamos perder dessa maneira estúpida antes que o mundo se acabe em nada?
É uma maravilha eu não ter abandonado todos os meus ideais, que parecem tão absurdos e pouco práticos. Se me prendo a eles, porém, é porque ainda acredito, apesar de tudo, que as pessoas têm bom coração.
Nesses tempos desafiadores, a memória não é apenas uma lembrança do passado, mas é o compasso para não repetir os mesmos erros no futuro, sem cair nas mesmas armadilhas que fizeram com que permitíssemos que a discriminação e o ódio se espalhassem.Beijos Beijos


















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